Saiba como especificar, dimensionar e comprar paredes de drywall

Saiba como especificar, dimensionar e comprar paredes de drywall

Características do ambiente, altura do pé-direito e requisitos de desempenho, como isolamento térmico e acústico, influenciam a especificação de paredes de drywall.

Fonte | Portal AECweb
Autoria | Redação AECweb / e-Construmarket
Conteúdo na fonte | Acesse aqui

Utilizado para executar paredes internas e forros, o drywall é um sistema construtivo composto por chapas de gesso revestidas com lâminas de cartão, fixadas em estrutura de aço galvanizado. As aplicações são variadas, de residências a salas de cinema, passando por escritórios e espaços comerciais.

Um dos motivos que explicam o interesse por essa solução é o fato de ela ser industrializada. O drywall também agrega ganho de área útil que pode chegar a 4%, precisão geométrica e acabamento liso, reduzindo custos com a preparação para a pintura. Outra vantagem associada é o desempenho em relação à acústica e à resistência mecânica, modulado de acordo com a exigência de cada projeto. O sistema pode combinar chapas simples, duplas ou triplas, perfis com espessuras variadas e isolantes com diferentes densidades.

Lista de materiais

As paredes de drywall são compostas por:

  • Chapas de gesso produzidas de acordo com as normas técnicas
  • Perfis de aço conformados a frio e zincados por imersão a quente
  • Massas e fitas para acabamento das juntas entre chapas de gesso. O uso desses elementos é fundamental para evitar o aparecimento de trincas
  • Elementos de fixação específicos. Para ligar os perfis à estrutura, podem ser utilizados buchas plásticas e parafusos com diâmetro mínimo de 6 mm, rebites metálicos com diâmetro mínimo de 4 mm e fixações à base de “tiros” com pistolas específicas para essa finalidade.

O cálculo dos materiais para construção de uma parede de drywall, incluindo acessórios e fixadores, varia em função da altura e da largura da parede, bem como do desempenho almejado. Vale lembrar que para o cálculo de chapas para paredes, deve-se considerar um adicional de 5%, aproximadamente, para eventuais perdas e recortes.

CRITÉRIOS DE ESPECIFICAÇÃO

Para paredes de vedação internas, há três tipos de chapas de drywall disponíveis no mercado: standard (para áreas secas), resistente à umidade (para áreas molháveis) e resistente ao fogo (para áreas especiais).

Um aspecto fundamental relacionado à especificação do sistema a seco é o atendimento às boas práticas de projeto e execução. “Chapas de gesso, perfis estruturais de aço galvanizado, massas e fitas para tratamento de juntas, assim como parafusos e acessórios para drywall, devem cumprir o que está definido nas normas técnicas com rigor”, diz Carlos Roberto de Luca, gerente técnico da Associação Drywall.

Segundo Luca, além de facilitar a montagem, cumprir as normas previne patologias e retrabalhos. “É, ainda, uma proteção para o construtor contra sanções previstas no Código de Defesa do Consumidor”, acrescenta.

Outro cuidado importante é dimensionar o sistema de acordo com o pé-direito da edificação e o tipo de edificação. “Para que não haja desperdício de material, os projetos devem ser desenvolvidos e detalhados para drywall. Isso garante o melhor aproveitamento dos materiais, evitando desperdícios e gastos extras”, diz Rosângela Ciarcia Arnandes, responsável pelo departamento técnico na Trevo Drywall.

Um bom projeto deve garantir, por exemplo, que a tubulação de cobre não fique em contato direto com a estrutura de aço galvanizado e que seja isolada com material sintético. Tal cuidado é necessário para evitar reações galvânicas e consequente corrosão nos pontos de contato entre os dois metais.

ASPECTOS RELACIONADOS AO PROJETO

É possível compor diferentes tipologias de paredes com chapas de drywall. A parede standard é formada pelo aparafusamento de uma ou mais chapas em perfis de aço galvanizado. O espaço interno criado entre as chapas cria um vazio por onde passam instalações elétricas, hidráulicas e são inseridos isolantes acústicos.

Quando o projeto exige a construção de paredes muito altas, algo comum em teatros e salas de cinema, utilizam-se duas linhas de estruturas de perfis de aço galvanizado interligadas por recortes de chapas, perfis da estrutura ou amortecedores acústicos. Autoportantes, essas paredes são compostas por mais de uma camada de chapas.

Outra tipologia recorrente é a de paredes acústicas, montadas a partir de duas linhas de estruturas independentes e lã mineral no interior do vão entre as chapas. Como referência, paredes compostas por chapas duplas de 12,5 mm oferecem isolamento equivalente ao de uma parede de blocos maciços com 90 mm de espessura, de 35 dB a 37 dB.

SELEÇÃO DE FORNECEDORES

Prazo de entrega, credibilidade no mercado e instaladores treinados são critérios a serem levados em conta na hora de comparar fornecedores de drywall.

Também não se pode prescindir do atendimento às normas técnicas relativas ao sistema. São elas:

  • ABNT NBR 14.715:2010 – Chapas de Gesso para Drywall
    Parte 1 | Requisitos
  • ABNT NBR 15.217:2018 – Perfilados de aço para sistemas construtivos em chapas de gesso para drywall – Requisitos e métodos de ensaio
  • ABNT NBR 15.758:2009 – Sistemas Construtivos em Chapas de Gesso para Drywall – Projeto e Procedimentos Executivos para Montagem Parte 1 | Requisitos para sistemas usados como parede
  • ABNT NBR 15.575-4:2013 – Edificações habitacionais – Desempenho Parte 4: Requisitos para os sistemas de vedações verticais internas e externas

Um cuidado especial deve ser dado à aquisição dos perfis estruturais de aço galvanizado. Peças em desacordo com a norma podem comprometer a durabilidade, a resistência e acarretar patologias nas paredes. A norma determina que a espessura da chapa que compõe o perfil deve ser de, pelo menos, 0,5 mm. Já a galvanização dos perfis não pode ter espessura inferior a 275 g/m².

COLABORAÇÃO TÉCNICA

Carlos Roberto de Luca – Químico industrial com mestrado profissional em habitação pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT). É gerente técnico da Associação Brasileira do Drywall.

Rosângela Ciarcia Arnandes – Técnica em edificações com MBA em gestão empresarial. É responsável pelo departamento técnico na Trevo Drywal.

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