Conforto acústico do drywall depende da combinação com outros materiais

Conforto acústico do drywall depende da combinação com outros materiais

De acordo com especialistas, para obter bom desempenho é possível variar a estrutura, o número de chapas utilizadas e o elemento usado no preenchimento da cavidade

Fonte | Portal AECweb
Autoria | Redação AECweb / e-Construmarket
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Devido à sua praticidade de execução, as paredes de drywall têm espaço garantido na construção civil. Entretanto, por ser fabricada a partir do gesso, a solução gera dúvidas sobre seu desempenho acústico. Afinal, o produto é opção que pode funcionar como barreira sonora? Segundo o arquiteto José Augusto Nepomuceno, titular da Acústica & Sônica, o isolamento acústico da parede depende das demandas específicas em cada situação. “Basicamente, é uma relação entre o nível de som existente no ambiente que gera o ruído, o nível máximo admitido no local que recebe esse som, as dimensões da parede e as características acústicas da região receptora”, explica.

De acordo com o arquiteto Marcos Holtz, sócio-diretor da Harmonia Acústica – Davi Akkerman + Holtz, como o drywall é um sistema industrializado e modular, ele pode ser aproveitado na criação de soluções com isolamento acústico suficiente para atender desde dormitórios até salas de cinemas e teatros. “Podem-se variar a estrutura, o número de chapas utilizadas, o preenchimento da cavidade e outros detalhes específicos que permitem a construção de elementos de altíssimo desempenho acústico”, ressalta. O material responde, inclusive, às exigências de ambientes muito específicos, como estúdios de gravação, que podem contar com soluções mistas, combinando elementos de alvenaria e drywall.

Nepomuceno dá o exemplo da Sala Minas Gerais de Concertos, cujas paredes em forma de grandes velas foram erguidas em drywall e são responsáveis por parte importante do controle de difusão e reflexão acústica. “Poderiam ser construídas em alvenaria, concreto ou outro material, desde que atendessem à exigência da acústica de 80 kg/m² de peso. A construção em drywall preservou o partido escultórico das velas e respeitou os pesos especificados. Essas paredes têm alta densidade superficial e não funcionam para o isolamento acústico, mas para o controle sonoro”, destaca, lembrando as diferenças entre isolamento acústico e absorção sonora.

Ele diz que, em teatros, o forro em drywall tem a finalidade de difusão do som. Muitos autores entendem que os painéis em drywall se comportam como placas que podem absorver som reativamente, impactando o comportamento da sala em baixas frequências. “Assim, preferem que as paredes de isolamento acústico, nos teatros, sejam em alvenaria ou concreto com alta densidade superficial, restringindo o uso do gesso para peças de acabamentos ou correções”, completa Nepomuceno.

“A qualidade desse tipo de construção melhorou muito no país durante as últimas décadas, principalmente com os processos de homologação e qualificação de mão de obra. A tendência é que as diferenças entre drywall e construção em alvenaria continuem diminuindo”, afirma Nepomuceno. “Gostaria de ressaltar que existem muitos dados de laboratório fornecidos pelos fabricantes, o que facilita o projeto acústico dos espaços projetados em drywall”, complementa Holtz.

PARA UM MELHOR DESEMPENHO

O isolamento acústico do drywall pode ser melhorado com uma série de elementos. Especificar a opção ideal depende do nível de isolamento que se pretende obter. Modelo bastante comum de parede é aquele composto por duas chapas duplas de gesso, montante de 50 mm, e a parte interna preenchida com lã mineral. “A partir desse sistema básico, o isolamento sonoro pode ser melhorado com o aumento das dimensões do perfil, passando de 50 mm para 70 mm ou até 90 mm. A ideia é que o aumento da camada de ar aumenta o efeito de mola, ou de separação entre as folhas, otimizando o isolamento acústico”, comenta Nepomuceno.

Outras opções são a separação estrutural dos perfis ou uso de chapas de gesso fabricadas com amortecimento estrutural interno. “Entretanto, tal solução ainda não é fabricada nacionalmente”, fala.

Além do número de chapas de cada lado preenchidas com materiais isolantes, como as lãs minerais, existem ainda opções mais novas, como o desacoplamento entre chapas com colas especiais ou a utilização de suportes que desacoplam as chapas da estrutura.

Para ele, infelizmente, se tem poucos critérios definidos em normas brasileiras. Portanto, cada arquiteto ou consultor pode ter diferentes opiniões a respeito do que seria satisfatório. E, além disso, uma mesma divisória pode resultar em isolamentos acústicos muito diferentes, dependendo dos volumes dos espaços e das condições de contorno.

A Associação Brasileira do Drywall disponibiliza em seu site a Tabela de Desempenho das Paredes Drywall, que faz parte do conteúdo de seu manual de projetos. Os números apresentados são referenciais para projeto, desde que obedecidas as normas técnicas do material nessa etapa e na instalação. Além disso, para a obtenção dos resultados indicados, é essencial a utilização de produto qualificado no Programa Setorial da Qualidade (PSQ), sediado na associação.

Conforto acústico do drywall depende da combinação com outros materiais

CONFORTO TÉRMICO

A camada de ar que existe entre as placas de gesso no sistema drywall cumpre também função térmica. O nível de isolamento segue o mesmo conceito da questão sonora, ou seja, se forem incorporadas soluções, como as lãs minerais, a qualidade do desempenho melhora consideravelmente. Tanto em regiões com clima quente quanto nas frias, a solução tem capacidade de manter o conforto do ambiente interno.

ABNT NBR 15575

A ABNT NBR 15575 – Desempenho de edificações habitacionais – determina que as paredes devem ter capacidade de atenuação de, pelo menos, 45 dB. A título de comparação, a estrutura de drywall com seis chapas e duas mantas de lã de vidro é capaz de reduzir até 60 dB. “Ou seja, as paredes de gesso podem tranquilamente atender aos requisitos da norma, desde que sejam projetadas e executadas para alcançar os critérios acústicos de cada situação”, diz Nepomuceno.

Para cumprir os requisitos da norma, a solução precisa ser projetada de maneira adequada. “Não se deve utilizar somente os dados de laboratório. O ideal é aproveitar as informações dos ensaios e usá-las para calcular, juntamente com os dados obtidos em campo, o desempenho necessário para atender ao valor exigido pela ABNT NBR 15575. A norma indicada para este cálculo é a ISO 15712”, conclui Holtz.

COLABORAÇÃO TÉCNICA

José Augusto Nepomuceno: arquiteto especialista em acústica e planejamento teatral, participou de projetos notáveis no Brasil e exterior, entre eles Sala São Paulo, Sala Minas Gerais, Cleveland Museum of Arts, Schermerhorn Symphony Hall. É Consultor Principal na Acústica & Sônica e Principal Associate na Akustiks (Norwalk, EUA).

Marcos Holtz: sócio-diretor da Harmonia Acústica – Davi Akkerman + Holtz, consultoria que reúne em seu portfólio obras de destaque da arquitetura nacional. Participou como autor de cerca de 500 projetos de acústica, incluindo acústica ambiental, de edifícios e de salas. É Coordenador da Comissão Acústica Ambiental da ProAcústica. Arquiteto e urbanista, mestre em acústica pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP).

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